quarta-feira, 17 de julho de 2013

Agora Lauro Muller, subir e descer a Serra do Rio do Rastro.

Agora a rotina do dia será subir e descer a fabulosa Serra do Rio do Rastro e ir até
a Sede Internacional dos Fazedores de Chuva em Itajaí-SC.
Saímos de Araranguá e fomos para a Serra. Para não perder o costume na chegada
em Lauro Muller a estrada estava em construção. A empreiteira jogou umas pedras
grandes na estrada e por cima jogou uma terra fina, como choveu muito o resultado
foi que a terra "assentou" e as pedras "brotaram" na estrada. A Versys foi "rasgando"
o caminho e foram pedras jogadas pra todos os lados parecendo que o pneu traseiro
estava estourando a cada pedrona jogada pra trás ou pros lados. Naquele momento
fiquei realmente preocupado, porque tinha a impressão que o pneu traseiro iria
estourar a qualquer momento, mas tudo deu certo e a
Versys carregada com toda
nossa carga de viagem e mais a garupa enfrentou tudo e saiu intacta.




Passado esse "perrengue" estávamos agora subindo a Serra do Rio do Rastro. Tanto

me falaram dela que estava ansioso e curioso para conhece-la.
No primeiro momento da subida já estava encantado, mal sabia eu que quanto mais
subia mais linda a Serra ficava. No início encontrei uma lixeira que "namorei" muito
tempo pelo Google Street View, quando vi aquela lixeira não resisti, parei a Versys
e tirei uma foto. Agora a lixeira tinha eu na foto. 








Não sei precisar aqui quantas fotos tirei na Serra do Rio do Rastro, e não tenho 
palavras pra descrever o que vi ali. Ela não tem descrição, é tão linda, tão mágica,
tão encantadora, só indo la pra saber o que é a Serra do Rio do Rastro.
De longe o lugar mais bonito que já vi em minha vida.
Quase chegando no topo falei pra minha esposa, "To aqui imaginando o que a 
Fernanda diria desse lugar, vamos voltar aqui e vai ser com toda a família."
Ela concordou comigo, então estamos planejando um momento para subirmos
e descermos a Serra do Rio do Rastro com toda nossa família.

EU ESTIVE LA! SUBI E DESCI A SERRA DO RIO DO RASTRO!













Lagoa dos Patos, lugar bonito pra caramba e rodovia excelente.


Depois e Porto Alegre passamos na Lagoa Itapeva, um lugar muito bonito. Além
da beleza do local outra coisa que chamou minha atenção foram os pneus da moto, notei que toda a banda de rodagem estava
meio mole, parecendo borracha derretendo.
Preocupei na hora!
Pensei que o pneu da moto estava com problemas e eram os dois, imaginei que na
próxima cidade tinha que trocar. Então um motociclista parou perto de nós para
tirar fotografias me falou que é o tipo do asfalto que é emborrachado, o que estava
acontecendo nos pneus da Claudete era o efeito do atrito com o asfalto que é
reciclado e possui pneus derretidos em sua composição.
Palmas pra BR-101!
Asfalto de primeiro mundo, quase impossível uma moto "escorregar" na pista.







Agora subindo de volta, rumo a Serra do Rio do Rastro.


De Aceguá subimos para Porto Alegre.
A minha intenção era dormir nessa cidade, mas como minha esposa tava muito ansiosa
pra chegar em casa, então continuaríamos depois de Porto Alegre e o "terreno" que
ganhássemos seria lucro. Afinal no outro dia seria subir e descer a Serra do Rio do
Rastro.
Mas na volta de Aceguá, duas coisas me chamaram a atenção.
A primeira foi a neblina. Ao contrário de Goiás, no sul do Brasil quando a gente vê
uma placa mandando tomar cuidado com neblina, é neblina mesmo! Não me lembro
de ver em Goiás uma neblina tão espessa como vi no Sul do Brasil.
A segunda coisa que chamou minha atenção é umas folhas penduradas nas árvores
parecendo que estavam derretendo, mais tarde um pouco descobri que é uma planta
que se chama "barba de velho".

No Rio Grande do Sul quando aparece uma placa na estrada mandando tomar cuidado com a neblina, é neblina mesmo! Totalmente o contrário do que vejo em Goiás.

Depois de dias de chuva e frio, em questão de minutos o tempo transformou completamente. Assim que estávamos chegando em Porto Alegre estávamos "cozinhando" dentro das roupas. Dai assim que parei num posto pra abastecer saí como um louco tirando o excesso de roupas.

Chegando em Porto Alegre.

Rio Guaíba

Olha quantos viadutos na chegada de Porto Alegre.

Olha a favela ao lado do estádio do grêmio.




Finalmente chegamos em Aceguá-RS, fim da BR-153, fronteira do Brasil com o Uruguai.


Nossa intenção era chegar o mais próximo possível de Aceguá, gostaria de
dormir em Bagé, e conseguimos.
Chegamos em Bagé por volta das 19h embaixo de uma chuva bem fina.
Sabia que faltavam apenas 60 km para chegarmos ao extremo sul da BR-153 e isso
me alegrava muito, pois a missão estava bem perto de ser cumprida. Mas a previsão
do tempo me deixava um tanto triste, vi vários jornais e todos foram unânimes,
no sul do Rio Grande do Sul a previsão era de tempestade, muita chuva forte. A chuva
não me assustava mais, mas chegar em Aceguá era um sonho de 30 anos, um momento
que queria deixar registrado, não só na memória mas também através de fotografias
e filmagens, seria um momento pra mostrar a todos os meus amigos.
Então a chuva veio e dormimos ao som de uma baita chuva e eu triste porque fotografias
e uma filmagem na chuva era o que nos aguardava para o dia seguinte.
Acordamos e a primeira coisa que fiz foi sair do quarto e ver o tempo. Sem chuva! Mas
o céu estava fechado, saímos "armados" para molhar, mas nossa viagem tinha uma
quarta pessoa acompanhando. Desde o início eu disse que iríamos nós quatro; Deus,
a moto, minha esposa e eu. E Deus mostrou sua força e fomos até Aceguá sem cair um
só pingo dágua sobre nós. Quando vi a primeira placa, Aceguá 20 km pensei comigo,
se a Versys quebrar acabo de chegar empurrando, mas daqui pra frente só Deus para
nos segurar, mas ele não queria nos segurar ele estava nos empurrando e dando força
para continuarmos a jornada.


Nascer do Sol em Aceguá-RS

Aceguá estava chegando e cada minuto era sentido na alma, parecia que o tempo não
tinha mais importância, várias vezes senti um arrepio, várias vezes vontade de chorar.
Não tinha palavras para agradecer a Deus por ter me dado vida e saúde para realizar 
este sonho de menino.
O céu por onde passávamos estava fechado, mas nosso caminho não caía nenhuma 
gota de água. Tudo parecia perfeito.
Paramos na última placa para prepararmos a câmera para filmar a nossa chegada.
Este era o grande momento que esperei por anos.




Agora a foto do marco tem minha pessoa junto e não é nenhuma montagem de 
computador. EU ESTIVE EM ACEGUÁ! LA EU DEIXEI MINHA PEGADA! EU ESTIVE
ONDE A BR-153 COMEÇA! Com a graça de Deus realizei um pedaço do meu 
sonho de menino! Foram 2.212 Km de minha casa até o local deste marco na
entrada de Aceguá.


Missão cumprida! Estamos em Aceguá, nesse meu barco tem mais uma pessoa que não apareceu nas fotos, Jesus foi conosco nos livrando de todas as interpéries.






Ventania e mais ventania no Rio Grande do Sul.


Quero aqui comentar um fato.
Em Goiás estamos bem acostumados com ventos, principalmente no mês de Agosto,
mas no Rio Grande do Sul fiquei impressionado com a ventania, teve momentos que
pensei que iria perder a moto, por várias vezes andei vários quilômetros com a moto
inclinada. Segundo uma conversa que tivemos com a FC Angela, ela nos disse que
indo pra Ushuaia o vento é muito pior, a moto chega a ficar inclinada 45 graus. Caramba!


Vale do Sol, onde senti vontade de morar.


Assim que saímos de Chapecó-SC a intenção era chegar o mais próximo possível de Acegua-RS.
Como sabíamos que não chegaria ate o extremo sul da BR-153, então tentei chegar até Bagé-RS.
E conseguimos! Dormimos em Bagé-RS, apenas 60 km de Aceguá.
Porém depois do almoço o GPS pregou-nos a primeira peça, jogou a gente num trecho de estrada
de chão. Curto, com poucas lamas e nada de barro, então foi tranquilo. Pegamos esse caminho
para passar na cidade de Vale do Sol.

Estrada na entrada da cidade de Vale do Sol.


Embora as ruas de Vale do Sol sejam de calçamento, estão melhores que muitas ruas da minha cidade.


Pela primeira vez na minha vida vejo o frio de verdade.

Assim que saímos de União da Vitória passamos por um momento meio difícil.
Minha esposa começou a pedir arrego por conta do frio.
Tive que parar algumas vezes para tanto ela quanto eu botarmos as mãos no motor
da moto para aquecer do frio.


Em Chapecó fomos bem recebidos pelo meu amigo Hilário, abaixo fotos da estadia nessa cidade.






Estamos em Chapecó-SC.
Na casa de um amigo.
A intenção era ainda hoje percorrermos alguns quilometros, até Erechim, mas não tem jeito!
Amigo é amigo e não tem como ter pressa, muitos assuntos, muitas fotos, muitos lugares a
se ver e até comida diferente, experimentei pela primeira vez na vida o pinhão, ow... uma delícia!
Minha esposa ta meio ansiosa e preocupada, pois minha filha caçula está passando por um
problema respiratório (comum em Goiás). Ela já conversou comigo para irmos até aceguá e de la
virarmos pra casa.
Falta mais de um dia para chegarmos no extremo Sul da BR-153. Talvez as coisas melhorem la em
casa e poderemos diminuir a pressa.
Vou refazer os cálculos e ver o que fazer. Agora temos um grande ajudante para continuar a viagem.
Conseguimos consertar a Esmurfete(GPS).
Vir até aqui sem ela foi difícil. Mas graças a Deus deu tudo certo.
Mas uma coisa quero deixar aqui escrito, quantas paisagens belas ja vi, quanto frio ja passei e quanta
chuva ja tomei, mas estou feliz. E se Deus quiser a Letícia vai melhorar e as coisas ão de melhorar.
Como estou em uma lan-house nao tenho confianças em postar as fotos, mas logo logo estarei postando
algumas fotos aqui.
Ahhh!!!! Antes que me esqueça, irei abrir um capítulo especial sobre um trecho na BR. Estrada de chão,
aliás!!!! Estrada de barro!!! Vai sofrer, moto atolou, ninguém pra empurrar, uma lambrequeira louca de
tanto barro, fora o medo de escurecer comigo no meio daquela mata, pra mim tinha uma onça me esperando
em toda curva. Este Capitulo será especial...
Abraços Amigos...

No trevão em Minas Gerais


Chegando em Ourinhos, paredões imensos

BR-153 depois de Paulo Frontin-PR

Eu lutando com o barro e a lama, a Versys brincou nesse terreno, a moto parecia que não estava sentindo as dificuldades do terreno.




Anjos na caminhada.


Uma luz no fim do túnel.
Algumas pessoas apareceram se oferecendo pra ajudar a olhar os meninos durante
a nossa viagem.
A Fernanda já está bem melhor.
Já estamos nos organizando pra sair amanha cedo, Deus foi bom e enviou anjos para
nos socorrer.
Estive olhando a previsão do tempo e o melhor mesmo foi ter esperado o dia de 
amanha para iniciarmos a viagem.
Se Deus quiser meu próximo post seja da saída de casa com a moto.
Abraços amigos...

Problema de última hora!


Um problema apareceu.
Minha filha mais velha(que seria nosso suporte em casa), desandou a tossir novamente.
Consumi quase um mês de luta para ela melhorar a tempo da viagem, tava tudo OK.
Mas de ontem pra cá algo deu errado com ela e tudo q consumi um mês de luta foi pro brejo.
A essa hora eu já estaria entrando no estado de Minas Gerais, caso começasse hoje a viagem.
Mas ainda tem a segunda opção ir amanha de manhã. Mas to meio pessimista.
Pelo jeito para realizar o sonho vai ter que ser só eu, minha esposa falou que ela fica e eu
vou. Mas não foi assim que planejei durante meses, não foi assim que sonhamos e não foi
assim que pedi pra Deus me acompanhar na viagem. Desde o princípio pedi para que fossemos
nós 4 na viagem, Deus, a moto, minha mulher e eu.
Sei que ta complicado, desanimei muito cheguei a levantar da cadeira e ir pra Claudete tirar todos
os equipamentos, inclusive nem posso olhar pra ela agora, prontinha pra viagem.
To meio que desesperado e bem abatido.
Mas ainda falta uma noite o que posso fazer agora é esperar, já esperei tanto, talvez não seja
difícil esperar mais um pouco.