domingo, 24 de março de 2013

Capacete quebrado...

Em meio a tanta economia pra viagem um imprevisto. O capacete que escolhi, pintei e personalizei pra realizar minhas viagens quebrou.

O capacete é da marca honda (será coincidência ) e do lado direito tem uma especie de parafuso/arruela com uns 4 centímetros de diâmetro e este bendito prende a viseira. Ontem quando estava voltando de goiania na chuva essa peça se soltou e não existe pra vender, ou seja tem que ser outro capacete.

Num momento em que estou fazendo continhas pra ter a grana pra viagem não posso comprar um capacete.

Vou tentar uma gambiarra botar umas arruelas, e um adesivo pra fixar a viseira novamente, espero que dê certo.

Ontem fiz uma viagem e preferi viajar na chuva para testar os equipamentos pra viagem, como disse em julho é esperado muita chuva e frio no Rio Grande do Sul. O resultado da viagem não foi nada animador. A jaqueta que comprei sendo impermeável, entrou água e quase molhou meus documentos, sem mencionar que entrou água na manga esquerda e encharcou meu braço. Tava pensando comprar uma bota impermeável de cano curto que é mais barata, mas vi que tenho de comprar uma de cano longo pra não congelar as canelas. Depois de lavar a moto resolvi dar um passeio na cidade pra secar a corrente e fazer a sua lubrificação, apareceu um barulho estranho, to torcendo pra ser a relação que secou na chuva que tomou. E o pior de tudo foram os alforges laterais, ambos vieram com uma capa que deveria protegê-los da chuva, mas acho que o inventor dessa peça nunca a usou, porque entrou uma água na parte debaixo deles, tipo meio litro dentro de cada um e é obvio que essa água entrou no alforge. Penso, penso, penso numa forma de evitar que isso aconteça durante a viagem, mas vou ter q inventar ou então conformar em carregar sacos e sacos de lixo, daqueles pretos pra por os objetos dentro deles e embalados assim coloca-los nos alforges para não enxarcar as roupas e outros objetos.

Mas nesse momento o grande problema é o capacete o resto vou organizando ou inventando uma forma de organizar.

sábado, 23 de março de 2013

A dura realidade...

Aventurar-se de moto mundo afora quando se tem grana é fácil. Basta imaginar o local, esperar a data determinada, encher o tanque e moto na estrada. Me lembro de um juiz de direito que rodou todo o Chile, comprou a moto, planejou a viagem e botou a moto na estrada em menos de 40 dias, esse não é o único caso que conheço, sei de alguns empresários que fizeram uma viagem de moto por um mês ou mais apenas para desestressar.

Duro é como muitos fazem. Meses de planejamento, juntando grana, passando o maior perrengue, moto na garagem porque falta dinheiro pra comprar pneu ou pra economizar pra revisão e em vários casos a data é jogada pra frente porque o essencial (dinheiro) não deu.

O mais legal é que nenhum desiste, o sonho até pode ser adiado mas nunca esquecido.

Me lembro de um cara que foi em uma yamaha neo até Ushuaia. Consumiu 11 ou 12 semanas só pra ir, ele saiu de casa com menos da metade da grana necessária pra viagem, o mesmo conta que no caminho pra por gasolina e comprar comida trabalhava em postos, até capinar lote ele capinou pra ter grana pra rodar pouco mais de 250 Km. Mas foi, voltou e conta história pra todos.

Eu to aqui, com a moto na garagem, parada pra economizar pneu, relação e ela inteira, no manual do proprietário fala que o óleo do motor tem que ser trocado a cada 6.000 km ou 6 meses o que vier primeiro. Tá com apenas 3.700 Km e quase 7 meses, o que faço? Deixo a moto parada porque minha viagem será em julho então se eu fizer uma troca agora, terei que fazer outra no fim de junho, pergunta se tenho grana pras duas trocas. Então vou poupando a moto, não sei se o óleo poderá ficar 8 meses dentro do motor, porque é sintético, mas não tenho outro caminho.

Preciso comprar uma bota impermeável, já que no Rio Grande do Sul chove muito no mês de julho, minha esposa ta na mesma situação, uma calça impermeável pros dois e um par de luvas descente para suportar o frio.

De tudo o que tenho em mãos é o dinheiro da viagem, alias, tinha porque tive uns imprevistos e foi preciso mexer na grana.

Então daqui até o dia de dar a partida na moto vai ser um festival de sacrifício, perigoso eu começar a latir no quintal, assim dispenso a cachorra e não preciso comprar ração..KKKKK

Detalharei aqui no blog o que fiz pra juntar grana pra viagem e como fiz pra me preparar, fato que nunca vi nenhum viajante postar na internet.

E se Deus quiser estarei no mês de julho contando detalhes da minha primeira grande aventura.

Contando um pouco de história

Moro em Morrinhos-GO, uma cidade de médio porte às margens da BR-153. Tenho 43 anos, casado, pai de 3 filhos e funcionário publico.
Desde criança sonho com viagens e grandes aventuras. Então assim que aprendi andar de bicicleta (com 12 anos de idade) e senti um pouco de segurança saía de casa quase todo fim de semana com destino ao viaduto da BR-153, la eu sentava e ficava observando todos os veículos passarem e sonhava em um dia rodar pelo Brasil afora, imaginava que a BR ligava goiania até são paulo capital.
Então cresci, sonhava o tempo todo em ter uma moto, tanto é que num ato de desespero comprei minha primeira moto, uma Agrale 27.5 com motor fundido.
A intenção era arrumar o motor e fazer algumas viagens com a moto. O problema é que eu tinha uma moto pifada e nenhum centavo no bolso e meu salário era uma merreca, então pra por essa moto funcionando foi bem difícil. Fui em goiania e comprei algumas peças usadas, bloco, pistão, aneis, biela e algumas outras pequenas peças.
Quando tinha as peças não tinha grana pra pagar um mecânico por tudo pra funcionar, fiquei meses juntando dinheiro pra pagar o mecânico,  me lembro dum dia em que minha irmã e eu resolvemos montar o motor, só pra matar a vontade de ver a moto com um motor e quem sabe tirar a moto do quartinho, percebemos que não daria certo quando vimos um monte de parafusos sobrando e 3 peças que não sei até hoje qual o local delas.
Bom, vendi minhas férias e paguei pra montar a moto, ficou uma porcaria porque o motor era híbrido, a parte debaixo da 16.5 e a superior da 27.5, ficava engasgando o tempo todo, só prestava quando tava em alta rotação.
Vendi essa agrale (cheguei a orar a Deus por ter tirado aquela moto da minha vida), comprei uma turuna 125 ano 82, mandei retificar  o motor e fiz minha primeira viagem era pra ser Morrinhos - Caldas Novas, mas como o garupa estava pagando a gasolina, na volta resolvemos andar mais, dai fiz Morrinhos - Caldas Novas - Piracanjuba - BR-153 - Morrinhos.
Até hoje me lembro do frio e da chuva que tomamos, mas foi o máximo.
Fiz mais umas viagens com ela ate que um dia travou o motor indo pra Goiania. Arrumei, fui pra goiatuba ela me deixou a pé de novo, fui pra itumbiara novamente a pé. Então decidi vender e comprar uma yamaha DT-180 ano 85. Essas duas motos são as responsáveis por até hoje eu não ter possuído nenhuma moto da honda. Com essa DT conheci o paraíso, fiz várias viagens pela 153 e nunca me deixou a pé. Vendi porque imaginei que carro era melhor que moto, me lembro até hoje o dia em que deixei ela na casa do comprador, momento ruim e triste pra mim.
Fui pra faculdade, casei, tive filhos e somente depois de 13 anos de casado voltei a ter outra moto. O interessante é que desde o primeiro dia de casamento eu e minha esposa planejamos ter uma moto e sempre dava errado.
É obvio que essa moto foi uma yamaha, uma lander, se alguém disser que amei alguma moto na vida, foi essa lander. Fiz um monte de viagens com ela na 153, conheci novos lugares e só tive duas despesas com ela, gasolina e óleo de motor. Moto incrível, fantástica, dona do meu coração o único problema dela era o banco que era desconfortável pras minhas viagens, minha bunda doía tanto que depois de rodar umas 2 horas, descia da moto e tinha dificuldades em andar, cada passo era uma agulhada em cada lado da bunda.
Bom!
Como sempre sonhei em viajar tava na cara que essa moto não era certa pra mim.
Daí que namorei, namorei, estudei, li revistas, falei com motociclistas, fiz sacrifício pra juntar dinheiro e depois de 3 anos troquei de moto. Troquei ela por uma Kawasaki Versys 650. Me lembro do momento em que o funcionário da concessionaria pegou a lander e passou pra dentro da loja. Eu tava saindo na versys e quando vi aquela cena, quase desmanchei o negócio, me deu uma vontade de chorar, um sentimento de negocio mal feito, um arrependimento, não tem como explicar. Mas homem não volta atras na palavra então fui embora pra casa na versys.
A velha dor na bunda continuava, parecendo minha sina então arrependi feio de ter trocado as motos.
Mas minha esposa disse uma vez, duas vezes, "trocentas" vezes que com a versys a dor é mais tranquila e depois de umas 2 horas andando basta uma paradinha de uns 5 minutos e a gente ta renovado pra mais 2 horas. Tanto ela falou que eu passei a observar isso e vi que ela tinha razão, então pela primeira vez em meses comecei a não ter mais o arrependimento da compra.
Bom!
Esse é um pouco de história mas com certeza ninguém achou graça até aqui

Mas apartir de hoje contarei minha historia e meu drama até a maior aventura de minha vida. Morrinhos-GO até Aceguá-RS e retorno pra casa.