sábado, 23 de março de 2013

Contando um pouco de história

Moro em Morrinhos-GO, uma cidade de médio porte às margens da BR-153. Tenho 43 anos, casado, pai de 3 filhos e funcionário publico.
Desde criança sonho com viagens e grandes aventuras. Então assim que aprendi andar de bicicleta (com 12 anos de idade) e senti um pouco de segurança saía de casa quase todo fim de semana com destino ao viaduto da BR-153, la eu sentava e ficava observando todos os veículos passarem e sonhava em um dia rodar pelo Brasil afora, imaginava que a BR ligava goiania até são paulo capital.
Então cresci, sonhava o tempo todo em ter uma moto, tanto é que num ato de desespero comprei minha primeira moto, uma Agrale 27.5 com motor fundido.
A intenção era arrumar o motor e fazer algumas viagens com a moto. O problema é que eu tinha uma moto pifada e nenhum centavo no bolso e meu salário era uma merreca, então pra por essa moto funcionando foi bem difícil. Fui em goiania e comprei algumas peças usadas, bloco, pistão, aneis, biela e algumas outras pequenas peças.
Quando tinha as peças não tinha grana pra pagar um mecânico por tudo pra funcionar, fiquei meses juntando dinheiro pra pagar o mecânico,  me lembro dum dia em que minha irmã e eu resolvemos montar o motor, só pra matar a vontade de ver a moto com um motor e quem sabe tirar a moto do quartinho, percebemos que não daria certo quando vimos um monte de parafusos sobrando e 3 peças que não sei até hoje qual o local delas.
Bom, vendi minhas férias e paguei pra montar a moto, ficou uma porcaria porque o motor era híbrido, a parte debaixo da 16.5 e a superior da 27.5, ficava engasgando o tempo todo, só prestava quando tava em alta rotação.
Vendi essa agrale (cheguei a orar a Deus por ter tirado aquela moto da minha vida), comprei uma turuna 125 ano 82, mandei retificar  o motor e fiz minha primeira viagem era pra ser Morrinhos - Caldas Novas, mas como o garupa estava pagando a gasolina, na volta resolvemos andar mais, dai fiz Morrinhos - Caldas Novas - Piracanjuba - BR-153 - Morrinhos.
Até hoje me lembro do frio e da chuva que tomamos, mas foi o máximo.
Fiz mais umas viagens com ela ate que um dia travou o motor indo pra Goiania. Arrumei, fui pra goiatuba ela me deixou a pé de novo, fui pra itumbiara novamente a pé. Então decidi vender e comprar uma yamaha DT-180 ano 85. Essas duas motos são as responsáveis por até hoje eu não ter possuído nenhuma moto da honda. Com essa DT conheci o paraíso, fiz várias viagens pela 153 e nunca me deixou a pé. Vendi porque imaginei que carro era melhor que moto, me lembro até hoje o dia em que deixei ela na casa do comprador, momento ruim e triste pra mim.
Fui pra faculdade, casei, tive filhos e somente depois de 13 anos de casado voltei a ter outra moto. O interessante é que desde o primeiro dia de casamento eu e minha esposa planejamos ter uma moto e sempre dava errado.
É obvio que essa moto foi uma yamaha, uma lander, se alguém disser que amei alguma moto na vida, foi essa lander. Fiz um monte de viagens com ela na 153, conheci novos lugares e só tive duas despesas com ela, gasolina e óleo de motor. Moto incrível, fantástica, dona do meu coração o único problema dela era o banco que era desconfortável pras minhas viagens, minha bunda doía tanto que depois de rodar umas 2 horas, descia da moto e tinha dificuldades em andar, cada passo era uma agulhada em cada lado da bunda.
Bom!
Como sempre sonhei em viajar tava na cara que essa moto não era certa pra mim.
Daí que namorei, namorei, estudei, li revistas, falei com motociclistas, fiz sacrifício pra juntar dinheiro e depois de 3 anos troquei de moto. Troquei ela por uma Kawasaki Versys 650. Me lembro do momento em que o funcionário da concessionaria pegou a lander e passou pra dentro da loja. Eu tava saindo na versys e quando vi aquela cena, quase desmanchei o negócio, me deu uma vontade de chorar, um sentimento de negocio mal feito, um arrependimento, não tem como explicar. Mas homem não volta atras na palavra então fui embora pra casa na versys.
A velha dor na bunda continuava, parecendo minha sina então arrependi feio de ter trocado as motos.
Mas minha esposa disse uma vez, duas vezes, "trocentas" vezes que com a versys a dor é mais tranquila e depois de umas 2 horas andando basta uma paradinha de uns 5 minutos e a gente ta renovado pra mais 2 horas. Tanto ela falou que eu passei a observar isso e vi que ela tinha razão, então pela primeira vez em meses comecei a não ter mais o arrependimento da compra.
Bom!
Esse é um pouco de história mas com certeza ninguém achou graça até aqui

Mas apartir de hoje contarei minha historia e meu drama até a maior aventura de minha vida. Morrinhos-GO até Aceguá-RS e retorno pra casa.

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